As Irmandades Negras

Até parte do século 19, os negros eram impossibilitados de frequentar a "igreja dos brancos". Havia, entretanto, a vontade de integrá-los à fé católica, assim, várias igrejas dedicadas especialmente aos negros foram construídas em todo o País e a prática religiosa, incentivada.

Essas comunidades religiosas abrigam muitas respostas para o entendimento da cultura africana no Brasil. Muitas dessas irmandades, ligadas às ordens católicas, eram devotas, por exemplo, a Nossa Senhora do Rosário, a São Benedito (o santo filho de escravos), a Santa Efigênia, a Santo Elesbão, a Santo Rei Baltazar, a N. S. de Guadalupe e ao Santo Antônio de Categeró.

Portugal incentivou a formação de irmandades negras em todas as suas colônias, onde haviam populações de origem africana. A primeira irmandade negra de Lisboa nasceu no Convento de São Domingos, no século 16, onde havia uma irmandade de N. S. do Rosário formada por pessoas brancas, mas os negros foram progressivamente assumindo espaços na instituição.

Em Salvador, entre as mais importantes estão a Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo, com sede no Pelourinho, e a Irmandade dos Santos Passos de Cristo e Vera Cruz, com sede atual na Igreja da Ajuda. A Bahia chegou a ter cerca de doze irmandades de homens pretos.

Em Curitiba, a antiga igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, construída pelos negros em 1731, foi dedicada aos escravos africanos da cidade. Outros exemplos são a irmandade de N. S. do Rosário, de Mariana - MG, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, no Rio de Janeiro, a Igreja da Nossa Senhora da Conceição dos Negros, em Rio Grande - RS, entre outras.

As irmandades iam além das práticas religiosas. Eram comunidades que reforçavam a integração social e contribuíram fundamentalmente para o sincretismo religioso no Brasil.

Antigamente as missas católicas eram sisudas e ministradas em latim. As festas religiosas costumavam ser muito comportadas. Desde o século 18, as irmandades negras buscavam licença para celebrar os seus padroeiros com danças e atabaques, sempre com resistência do Clero. Na segunda metade do século 19, as restrições foram relaxadas. Os negros da Bahia mostraram que sambar um pouquinho não fazia mal a ninguém e animavam às festas pagãs, ligadas às igrejas, sempre realizadas fora dos templos. Essas festas deram origem as atuais festas de largo e lavagem das escadarias das igrejas de Salvador.

 

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Procissão da Irmandade do Rosário dos Pretos, com sede no Pelourinho em Salvador, fundada em 1685, uma das mais antigas do Brasil. Mais: Irmandades Negras Gaúchas e Espiritualismo

 

 

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Carol Garcia