História do Automóvel

O automóvel, entendido como um veículo que se move por seus próprios meios, sem tração animal, foi desenvolvido em várias etapas, desde a invenção da roda, há alguns milênios.

O nome tem origem na França, como automobile, e já era usado por volta de meados do século 19 ou antes. É mais popular em seu significado estrito, como carro de passeio.

Todo automóvel tem limitação em sua autonomia. Assim, sempre é necessário uma ajudazinha de fora. Hoje, por exemplo, os carros têm autonomia limitada pelos combustíveis e precisam reabastecer, usando outros meios que não os próprios.

A ajudazinha pode vir também dos ventos. Conhece-se descrições de "carros a vela" que datam de meados do primeiro milênio dC. As primeiras tentativas, entretanto, são provavelmente muito mais antigas, pois barcos a vela existem a mais de seis milênios e transportar a ideia para a terra não requer um Einstein. Obviamente, era melhor usar cavalos.

Por volta de 1460, o engenheiro italiano Roberto Valturio (1405–1475) esboçou um projeto de uma espécie de caixotão movido por cataventos para uso militar. Esse e outros de seus manuscritos foram publicados na obra De re militari, em 1472, em Verona. Acredita-se que não foi construído.

Por volta de 1478, Leonardo da Vinci, um estudioso da obra de Valturio, também projetou um veículo automotor, mas movido por um complexo sistema de molas (veja foto abaixo) e ajustes inspirados na mecânica de relógios. Possuía direção, em ângulos pré-ajustados, e freio, que quando era solto o carro movia-se para a frente, liberando a energia potencial das molas. Em 2004, o Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia da Itália apresentou um modelo construído com base no projeto de Leonardo e funcionou, mas com autonomia muito reduzida. Acredita-se que Leonardo projetou esse veículo para apresentações teatrais.

Os exemplos acima são curiosidades históricas e outros exemplos existiram. Somente a partir do século 18, após a invenção da máquina a vapor, é que começou a verdadeira história do automóvel.

O primeiro automóvel movido a vapor, digno de nota, foi construído, em 1769, pelo engenheiro francês Nicolas-Joseph Cugnot (1725-1804). Era um grande e pesado triciclo, que podia mover-se, por 20 minutos, carregando quatro pessoas a cerca de 3,6 km/h, mais lento que uma pessoa andando. Não era prático, mas iniciou uma corrida a modelos mais eficientes.

Somente no início do século 19 é que os automóveis começaram a ter aplicação prática e comercial, como carruagens a vapor. Nessa época, esse novo meio de transporte, já rodava em Paris, Inglaterra e Escócia.

Nos anos 1820, as locomotivas sobre trilhos de George Stephenson (1781-1848) mostraram o futuro do transporte movido a vapor. A estrada de ferro entre Liverpool e Manchester, inaugurada em 1829, foi um sucesso. A locomotiva rocket desenvolvia 60 km/h. Nas décadas seguintes, muitas outras ferrovias foram construídas em várias partes do mundo.

Por outro lado, em meados do século 19, as carruagens a vapor já não eram novidade, mas eram pesadas, caras e perigosas. Perdiam a preferência para as tradicionais de tração animal, nos transportes urbanos.

Em 1854, foi inaugurada a primeira ferrovia no Brasil, no atual município de Magé, Rio de Janeiro.

A partir dos anos 1860, a história das ferrovias tomou um rumo diferente da história dos automóveis de passeio, com o aprimoramento dos motores de combustão interna, que começaram a ser mais usados em automóveis. Nos anos 1870, a gasolina começou a ser usada comercialmente.

As rodas revestidas de borracha chegaram, com sucesso, com os escoceses Thomson road steamers, a partir de 1867.

Em abril de 1871, chegou, em Salvador, na Bahia, o primeiro veículo, no Brasil, com auto propulsão destinado ao transporte urbano, sem trilhos. Era um Thomson road steamer, fabricado na Escócia, e usava as revolucionárias rodas com borracha. Foi importado pelo jurista baiano Francisco Antonio Pereira Rocha.

Os primeiros carros com motores de combustão interna surgiram nos anos 1860. Foram experiências realizadas por Étienne Lenoir, na França, e Siegfried Marcus, na Áustria. Mas somente por volta de 1890 começaram a ganhar o mercado, com modelos de Karl Benz e Gottlieb Daimler, na Alemanha. Nos anos seguintes a Panhard & Levassor, da França, destacou-se na produção desse tipo de veículo.

Em 1891, o aviador brasileiro Santos Dumont adquiriu, na França, um Peugeot, de combustão interna. Ao chegar no Brasil, o veículo foi logo devolvido por defeito de fabricação. Um segundo carro, desse tipo, foi importado por seu irmão, Henrique Santos Dumont, que o dirigiu em São Paulo, em 1893, o primeiro carro, com motor de combustão interna, a rodar no Brasil.

Em 1900, chegou, em Salvador, uma Voiture Légère Clément, fabricada na França pela Panhard & Levassor. Foi importada pelo engenheiro Henrique Lanat. Esse carro ainda existe e funciona. Foi doado, pela família Lanat, ao Museu da Santa Casa da Misericórdia da Bahia. É o carro mais antigo do Brasil. A Voiture Légère foi um sucesso de vendas para a época, com cerca de 500 veículos fabricados.

Nos anos 1890, surgiu o motor à diesel. Em 1899, já existiam automóveis capaz de atingir 100 km/h.

Em 1899, o estadunidense Henry Ford fundou a Detroit Automobile Company, com a ajuda de amigos, construiu 19 veículos, mas a empresa foi dissolvida em 1901. A fábrica foi adquirida pela Leland e Faulconer, também de Detroit, que fundou a Cadillac Automobile Company, em 1902.

Em junho de 1903, Henry Ford fundou a Ford Motor Company. O primeiro carro dessa nova empresa chamava-se Model A, tinha dois cilindros e potência de 8 cv, destinava-se ao uso diário de negócios ou recreativo. Em 1904, produziu também o Model B, de quatro cilindros, um automóvel de passeio.

Após outros lançamentos, Ford começou a produzir, em 1908, o lendário Model T, um veículo robusto e barato. Em 1913, sua produção contou com a linha de montagem, uma revolução industrial. Em 1914, a Ford fabricava metade dos carros nos Estados Unidos. Em 1925, o Model T custava apenas 300 dólares. Em 1927, deixou de ser fabricado.

Nos anos seguintes, a industria automobilística tomou grande impulso com os novos processos de produção em série. As cidades passaram a construir largas avenidas para os carros e bondes. Nos anos 1920, os carros deixaram de ser curiosidade e faziam parte da paisagem urbana.

No Brasil, muitos carros foram importados no início do século 20. Oficinas mecânicas pipocavam nas cidades. Nos anos 1940, surgiram algumas indústrias de autopeças. Mas somente, em setembro de 1956, o primeiro automóvel de passeio foi fabricado no País. Era um pequeno Romi-Isetta, de apenas um cilindro e uma porta, fabricado em Santa Bárbara d'Oeste, São Paulo. A fábrica fechou, em 1961, após produzir cerca de três mil veículos.

Nos anos seguintes, foram inauguradas no Brasil as fábricas da Vemag, Willys, Chevrolet, Fábrica Nacional de Motores (FNM), Ford, Mercedes Benz (caminhões e ônibus), Simca, Volkswagen e outras.

 

Ford Model T 1927.

 

Henry Ford (1863-1947) criou o automóvel robusto e popular e revolucionou a indústria com a linha de montagem.

 

Regina Lanat na Voiture Légère Clément, em Salvador, adquirida por Henrique Lanat. Fabricada no final do século 19, é atualmente o carro mais antigo do Brasil. Faz parte do acervo do Museu da Santa Casa da Misericórdia da Bahia.

 

Este é um modelo Chenab do Thomson road steamer, projetado em 1870, para uso na Índia. Outros modelos do Thomson road steamer também foram usados no Brasil, o primeiro chegou na Bahia, em 1871. Usavam rodas com borracha, uma revolução, na época

 

Modelo do segundo carro a vapor (fardier) de Nicolas-Joseph Cugnot, de 1771, em exibição no Musée des Arts et Métiers, Paris.

 

Um modelo do carro automotor de Leonardo da Vinci, movido por um sistema de molas, construído com base em seu projeto (no Codex Atlanticus), em exibição (janeiro de 2001) no Château du Clos Lucé, na França, a residência de Leonardo de 1516 a 1519, ano de sua morte.

 

O caixotão movido a vento de Roberto Valturio, cerca de 1460.

 

Os dois "carros a vela" (zeilwagen) do matemático e engenheiro flamengo Simon Stevin (1548-1620) construídos, em 1602, para o príncipe Maurício de Nassau. Usados aqui para o entretenimento de convidados na praia de Scheveningen, na Holanda. Estima-se que podia chegar a 35 km/h com ventos favoráveis. Título original: CVRRVS VELIFERI Illmi Pr. MAVRITII NASSOVII, com base em gravura de Willem van Swanenburgh, publicada em 1603.

 

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Por Jonildo Bacelar

 

 

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